Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

Cyberbullying um fenómeno em crescimento

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Cyberbullying

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O bullying é uma forma de violência já identificada e associada à violência escolar, que toma agora novos contornos ao manifestar-se através das novas tecnologias. O fenómeno está a crescer e é necessário ficar alerta.xx
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O bullying são actos premeditados e repetidos de violência, praticados normalmente entre pares.

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Este tipo de atitudes acontecem frequentemente nas escolas mas, na maior parte das vezes, são ignoradas e admitidas como normais.

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Com a implementação das novas tecnologias, este fenómeno descobriu uma nova faceta: o cyberbullying, um tipo de violência “sem rosto”, como classifica a psicóloga clínica Ana Filipa Silva, durante uma palestra sobre o tema, em Tavira.

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Ana Filipa Silva explica ao Observatório do Algarve que a violência com recurso às novas tecnologias, principalmente a Internet, está a crescer e pode afectar significativamente a vida das pessoas, principalmente jovens e adolescentes que, em alguns casos, se refugiam no mundo virtual para combater a solidão da vida real.

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O facto de o acto de violência, que pode ser praticado através de deturpação de imagens, vídeos, sons, etc., ser visto por milhares de pessoas em todo o mundo e de não ser possível, na maioria das vezes, identificar o agressor “tem uma gravidade enorme”.

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O papel dos pais é fundamental

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“Os pais têm um papel extremamente importante em termos de medidas preventivas. Essencialmente, não podem desresponsabilizar-se do seu papel enquanto pais”, defende a psicóloga que aconselha a um acompanhamento atento por parte dos progenitores/educadores no que respeita aos amigos virtuais e reais, actividades e preocupações dos filhos.

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“Muitas vezes o que acontece é que a criança acaba por se sentir demasiado só e vai encontrar os tais ‘amigos’ na Internet, que vão ganhando a sua confiança e, de alguma maneira, vão utilizar essa confiança para mais tarde intimidar, para violar, para uma série de outras situações”, alerta.

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Medo de denunciar e um passo em frente para o suicídio

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O medo de denunciar o agressor é o mais comum, ou por recear represálias por parte da família ou por acreditar que o agressor também vai fazer mal aos entes queridos. A vítima opta, na maioria das vezes por sofrer em silêncio.

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O agudizar da violência tem as suas consequências: mau estar físico, mau estar psicológico e uma série de outros problemas associados.

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No limite este tipo de situações pode levar ao suicídio. Segundo Ana Filipa Silva “segundo estudos, considera-se que 30 por cento dos suicídios cometidos por jovens, têm a ver com fenómenos de violência escolar.

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Reconhecer uma vítima de bullying

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Existem sinais de alerta que podem ajudar a identificar quando uma criança ou adolescente está a ser vítima de violência, todavia “é importante não generalizar”, sublinha Daniela Machado, psicóloga clínica.

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A criança mostrar-se assustada em ir ou regressar da escola, não ter vontade de ir para a escola, começar a apresentar um fraco rendimento escolar, isolar-se, gaguejar, surgir regularmente com livros e roupas destruídas, deixar de comer, chorar com facilidade, mostrar angustia, tornar-se agressiva, o dinheiro/ economias “desaparecerem” e ter medo de contar o que se está a passar são alguns dos sinais a ter em conta.

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Fenómeno é transversal

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Qualquer um pode ser vítima de bullying. A faixa etária, o grau de ensino e o estrato social não são factores determinantes: há vítimas e agressores de todos os géneros e feitios.

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Segundo Ana Filipa Silva e Daniela Machado os agressores, por norma, são crianças que não recebem muita atenção por parte dos pais e, muitas vezes, são eles próprios vítimas de agressão.

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Quanto às vítimas, há uma tendência para encarar o fenómeno como uma coisa normal existindo casos em que “os pais culpabilizam o agressor, mas também pode haver pais que culpabilizam o próprio filho”, explica Daniela.

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Estas psicólogas defendem um acompanhamento firme por parte dos pais em relação aos filhos, sem nunca descurarem as questões de afecto. É importante que conheçam os próprios filhos e que façam parte da vida deles. No que respeita aos adolescentes, há que fomentar o diálogo para compreendê-los.

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“Regras firmes, amor de qualidade”, concluem as psicólogas como a formula para um crescimento saudável sem vítimas e agressores.

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As psicólogas falaram com o Observatório do Algarve à margem da acção de sensibilização sobre bullying – “Violência e agressividade em contexto escolar”, no espaço Crescendum, em Tavira.

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Fonte: Observatório do Algarve | 20-04-2008
publicado por cpcjtavira às 08:34
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